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    February 13

    Benção ou Maldição?

    Voltei a pensar num velho fantasma.. ou melhor.. um velho fantasma realçou a memória diária de vários..
     
    6ª feira entro no ginasio.. mal poho o pé na porta vejo um tipo numa das salas a treinar combat.. pelos movimentos, reconheço cada uma das musicas que ele está a treinar.. pelo facto de ali estar deduzo que o instrutor do costume nesse dia não veio e aquele que não conheço é um substituto.. vou lanchar ao bar.. um outro instrutor entra e os olhos dele põem-se na sala onde o outro treinava... sala essa onde esse recém-chegado iria dar aula.. e eu a ver.. vou aos balneáreos trocar de roupa.. vejo os dois a falar.. pela conversa conhecem-se.. lançam 2 nomes (próprios) para o ar a meio da conversa deles.. por um dos nomes suspeitei de onde vêm.. meio simbolo numa meia semi-escondidada por uma sapatilha no instrutor que treinava dá-me razão.. reconheço o logotipo de outro ginasio, onde dão aulas (pelo menos o segundo chegado dá..)
    dá-se a aula.. confirmam-se as musicas que suspeitei pelos movimentos, aquando o treino mal cheguei..
    final da aula.. a atitude do instrutor indo abrir a porta e cumprimentando cada pessoa que saía fortaleceu as minhas suspeitas iniciais quanto à sua origem.. as conversas de balneáreo que se seguiram, igualmente inconclusivas continuaram a fazer sentido para mim..
     
    enquanto lanchava, pessoas passavam, olhavam para aqui ou para ali.. e é como se fossem livros abertos..
     
    à partida dá um certo gozo..
    ---------------
    tenho medo de entrar em certas ruas.. porque ver ou não ver certos carros estacionados, ou estacionados em sitios diferentes a horas diferentes, diz-me mais do que eu quero saber sobre a rotina dos seus donos..
     
    pela mesma razão, na rua não quero ver carros conhecidos, e no entanto filtro cada matrícula que por mim passa, principalmente de determinados modelos e cores..
    ---------------
     
    que poder de observação dirão uns... que paranoia.. dirão outros..
    se calhar é tudo isso.. ou nada..
     
    estar numa sala em que se houve uma palavra e se entende a historia toda por trás (confirmada nas horas ou dias seguintes) é uma vantagem ou é prejudicial? será que saber-se mais do que se quer e precisa não faz mais mossa do que ajuda?
     
    será que o facto de pela ponta de uma agulha se deslindar no meio segundo seguinte toda a historia num é uma mais valia em muiitos casos? uma benção só acessível a alguns? ou será que se se tornar um modo de vida 24 horas por dia não acaba por pelo menos algumas vezes fazer entrar em desespero?
     
    Não há um dia que passe em que não mevenham à memória velhos fantasmas e tudo me faz lembrar deles
     
    como dizia hoje a um amigo que segurava a gata que tentava alcançar um cordel do meu casaco como se a vida dela dependesse disso, às vezes quem me dera ser gato.. é tudo tão mais simples.. ter como únicas preocupações na vida comer, dormir e brincar com novelos de lã parece uma existência estúpida, mas é tão mais simples.. tão menos doloroso..
     
    de que me serve estar a par de tudo o que me rodeia.. ter radares que captam mais longe e mais do que preciso.. se grande parte do que captam só serve para magoar, e nem sequer têm botão on/off...?
     
    será a inteligência e a perspicácia um dom, uma benção, ou simplesmente pelo facto de não dar sossego, descanso, paz interior.. uma maldição?
     
    o Daredevil dormia dentro de um caixão com água, para poder abstrair-se do que estava à sua volta.. eu quando posso uso phones.. mas nem sempre posso.
     
    toda a gente se queixa que precisa de férias...
    eu também.. quero férias.. de tudo, de todos, e principalmente de mim.
     
    .. maldição... 

    Comments (4)

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    Picture of Anonymous
    Albertino Sinónimo wrote:
     
    Será que os outros pensam o que eu pendo quando o dia acaba?
     
    Que choveu porque me dá jeito. Que fez sol porque quis ir à praia?
     
    Será que a avozinha de bengala, ou o idiota de cabelo espetado e brinco na orelha dentro do seu saxo rebaixado pensam na forma do arco-íris?
     
    Gosto de pensar que existimos para um fim e que somos poucos a existir assim.
    Existimos com um objectivo incerto que um dia será revelado.
     
    Não sugamos o ar dos outros apenas para dizer asneiras ou bater em alguém.
     
    E sobretudo temos obrigação de fazer o nosso melhor até lá.
    Se o melhor é compreender coisas que não são legiveis para todos, devemos continuar a fazê-lo.
    Nunca se sabe quando isso nos vai ser útil.
     
    E quem não perceber o que acabei de dizer, paciência...
     
    Mar. 11
    quando estás no combat...em que pensas??
     
    toda a vida é uma aula de combat...
     
    todos os dias começam com um aquecimento ( acorda neurónio nº 54!!!!), danças ao som da musica que te tocam...e no final .......relaxamentos...
     
    a questão é que não consegues muito bem fazer a parte dos relaxamentos...... e isso permite que saltes da meio da "aula" para o próximo aquecimento....continuamente...
     
    imagina a tua vida como um relaxamento..... acalma e deixa que a musica seja "menos intensa"..( faz a tua  própria musica!!!!!).. ignora os teus companheiros de aula ( não interessa se eles fazem bem ou mal...cada um faz o que quer e esforça-se por ser o melhor que lhe convém...)...na esperança que o  teu próprio relaxamento seja perfeito, pelo menos, o melhor possivel...
     
    A tua vida é melhor  que a vida dos outros! Estima-a e respeita-a com carinho, e isso trará felicidade independentemente da conjuntura e das opinioões terceiras.
     
    Dá  a mão se te pedirem..e nunca esperes por nada em troca...se receberes algo em troca então parabéns!!!!, encontraste um amigo.
     
     
    Abraço!!
     
    Yuri
     
    All of us could take a lesson from the weather. It pays no attention to criticism
     
    Gato que brincas na rua
    Como se fosse na cama,
    Invejo a sorte que é tua
    Porque nem sorte se chama.

    Bom servo das leis fatais
    Que regem pedras e gentes,
    Que tens instintos gerais
    E sentes só o que sentes.

    És feliz porque és assim,
    Todo o nada que és é teu.
    Eu vejo-me e estou sem mim,
    Conheço-me e não sou eu.

    Fernando Pessoa, 1-1931

     

     

     
     
    Feb. 15
    Bem... que dizer quando a nossa mente toma conta de tudo...!
    O poder de olhar e ver não apenas aquilo que normalmente estaria lá, mas ver para além  daquilo que desejarimos ver. O poder de observar os outros, o poder de nos observar como uma personagem que está de fora, torna-se em algo que nos limita, até apreendermos a transformar isso em algo precioso.
     
    Filtras demasiado, e demasiada informação sobrecarrega o teu sistema, às vezes coisas inúteis com pouca utilidade, mas cada informação é processada e guardada na gaveta da memória. Que fazer com ela, de que te serve, porque te ocupa, porque te preocupa, porque não desliga, porque continua. Tantas perguntas, de que servem respostas, estas que nada servem, enquanto a máquina se alimenta, enquanto a máquina processa.
     
    Fecha os olhos, estás de fora, olhando para ti, quem és? Porque continuas a olhar para ti e não te moves....vês o outros a passarem por ti...e parece que estás a encenar alguma cena de cinema!!! Vá...corta, estás farto do mesmo filme, às mesmas horas todos os dias, e os segundos somam e seguem...e que vês....!
     
    Fecha os olhos...imagina um outro lugar, esquece-te de ti...esquece-te dos outros...liberta-te...
     
    Helena  
    Feb. 14
    Bem... que dizer quando a nossa mente toma conta de tudo...!
    O poder de olhar e ver não apenas aquilo que normalmente estaria lá, mas ver para além  daquilo que desejarimos ver. O poder de observar os outros, o poder de nos observar como uma personagem que está de fora, torna-se em algo que nos limita, até apreendermos a transformar isso em algo precioso.
     
    Filtras demasiado, e demasiada informação sobrecarrega o teu sistema, às vezes coisas inúteis com pouca utilidade, mas cada informação é processada e guardada na gaveta da memória. Que fazer com ela, de que te serve, porque te ocupa, porque te preocupa, porque não desliga, porque continua. Tantas perguntas, de que servem respostas, estas que nada servem, enquanto a máquina se alimenta, enquanto a máquina processa.
     
    Fecha os olhos, estás de fora, olhando para ti, quem és? Porque continuas a olhar para ti e não te moves....vês o outros a passarem por ti...e parece que estás a encenar alguma cena de cinema!!! Vá...corta, estás farto do mesmo filme, às mesmas horas todos os dias, e os segundos somam e seguem...e que vês....!
     
    Fecha os olhos...imagina um outro lugar, esquece-te de ti...esquece-te dos outros...liberta-te...
     
    Helena  
    Feb. 14

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